O 8º Colóquio Hortofrutícola reuniu, no dia 17 de julho, em São Teotónio, no concelho de Odemira, produtores, empresas, especialistas e representantes de entidades públicas para refletir sobre os desafios que marcam atualmente o setor agroalimentar.
Promovido pela Lusomorango, em parceria com a Universidade Católica Portuguesa e com o Jornal Económico, o encontro decorreu sob o tema «Reconstruir, Produzir, Crescer — Ambição e Sustentabilidade» e colocou em debate as condições necessárias para reforçar a atividade agrícola, garantir a continuidade das explorações e responder às exigências económicas, sociais e ambientais dos territórios.
As consequências dos fenómenos climáticos extremos estiveram entre os assuntos em destaque. A partir dos impactos provocados pela depressão Kristin, foram partilhadas experiências sobre a capacidade de recuperação das empresas, a resposta das entidades públicas e a necessidade de melhorar os mecanismos de prevenção e apoio perante situações semelhantes.
A água, a mão de obra, a habitação, a inovação e o investimento foram igualmente identificados como fatores decisivos para o desenvolvimento da agricultura. Ao longo das intervenções, foi defendida uma abordagem de longo prazo, capaz de criar condições para produzir com maior segurança, eficiência e competitividade.
A realidade do Perímetro de Rega do Mira mereceu particular atenção, tendo sido discutida a importância da disponibilidade de água para a atividade hortofrutícola e para a estabilidade económica e social da região. Foram também apresentadas perspetivas de investimento destinadas a melhorar o aproveitamento e a gestão dos recursos hídricos.
A sustentabilidade ambiental esteve presente com a apresentação do Plano de Gestão Ambiental da Lusomorango, que procura orientar as organizações de produtores associadas na adoção de práticas mais eficientes em áreas como a utilização da água, a conservação do solo, a biodiversidade, a energia, os resíduos e a adaptação às alterações climáticas.
Na sessão de encerramento, o Diretor-Geral da Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR), José Eduardo Reis, destacou a necessidade de reforçar a ligação entre a agricultura e a sociedade, valorizando o contributo do setor para a economia, o ambiente, a alimentação e a identidade dos territórios. Defendeu ainda que a produção agrícola e a preservação dos recursos naturais são objetivos compatíveis e sublinhou o papel da DGADR na promoção da transferência de conhecimento, da inovação, da formação profissional e da modernização do regadio, reafirmando o compromisso da Direção-Geral em trabalhar em proximidade com os agricultores e os territórios para responder aos desafios futuros da agricultura portuguesa.
Ao longo da manhã, ficou clara a necessidade de conjugar conhecimento, investimento e políticas públicas para reforçar a competitividade do setor hortofrutícola, assegurando uma agricultura mais resiliente, sustentável e preparada para responder aos desafios do futuro.
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