A Rede de Rega do Aproveitamento Hidroagrícola do Xévora foi inaugurada, no dia 21 de julho, em Campo Maior. Promovida pela Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR), a infraestrutura vai servir uma área de 1.560 hectares e representa um investimento global de cerca de 25 milhões de euros.
A cerimónia contou com a presença do Ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, do Diretor-Geral da Direção Geral da Agricultura e Desenvolvimento Rural, José Eduardo Reis, e do presidente da Câmara Municipal de Campo Maior, Luís Rosinha. Estiveram também presentes José Macário Custódio Correia, presidente executivo da AdP AQUA, e Rogério Ferreira, vice-presidente da mesma entidade, responsável pela gestão, execução e coordenação da Estratégia «Água que Une». A iniciativa reuniu ainda representantes de entidades públicas, organizações do setor agrícola, agricultores e outros intervenientes do território.
O programa teve início no Centro Cultural de Campo Maior, com intervenções da Associação de Beneficiários do Xévora, entidade gestora do Aproveitamento Hidroagrícola, e do presidente da autarquia. Seguiu-se um percurso pelo novo perímetro de rega, que permitiu conhecer no terreno os principais elementos da infraestrutura e acompanhar a entrada do sistema em funcionamento.
A abertura simbólica da água realizou-se no primeiro hidrante da rede, localizado na Herdade dos Azeiteiros. Neste ponto foram apresentados os valores ambientais considerados na execução do projeto e decorreu uma conversa com Conceição Minas, proprietária da primeira exploração agrícola a receber água através da nova rede.
A cerimónia terminou junto à barragem do Abrilongo, no ponto de início da rede de rega e da ligação gravítica — bypass —, onde decorreram as intervenções institucionais e o descerramento da placa comemorativa da conclusão da obra.
Inserido na bacia hidrográfica do Guadiana e abastecido pela barragem do Abrilongo, concluída em 2000, o Aproveitamento Hidroagrícola do Xévora passa agora a contar com uma rede constituída por cerca de 44 quilómetros de condutas, 70 hidrantes e 106 bocas de rega. O sistema permite distribuir água sob pressão e aproveitar, em grande parte do perímetro, a diferença de cotas do terreno, reduzindo as necessidades de energia. Está prevista, numa fase posterior, a construção da estação elevatória e a concretização das medidas de compensação ambiental definidas para o projeto.
A empreitada agora concluída representou um investimento próximo dos 19 milhões de euros, com IVA, financiado pelo PDR 2020, e integra um investimento global de aproximadamente 25 milhões de euros no Aproveitamento Hidroagrícola do Xévora. Além da construção da rede de distribuição, a intervenção incluiu a ligação gravítica e os trabalhos de fiscalização da obra.
DGADR assegurou a concretização do projeto
Enquanto entidade promotora e Autoridade Nacional do Regadio, a DGADR assumiu a preparação, contratação e acompanhamento técnico, administrativo e ambiental da empreitada. O trabalho desenvolvido permitiu compatibilizar a atividade agrícola com as exigências de proteção ambiental existentes numa área classificada como Zona de Proteção Especial.
Na sua intervenção, José Eduardo Reis sublinhou que a atuação da DGADR não se limita à regulação das infraestruturas hidroagrícolas, abrangendo igualmente o acompanhamento dos agricultores e a participação ativa na procura de soluções para os territórios.
“Este é o exemplo de como a DGADR está empenhada em promover o desenvolvimento rural neste Alto Alentejo.”
O Diretor-Geral destacou ainda a articulação entre os diferentes organismos, os agricultores e as entidades ligadas à proteção ambiental, considerando que foi essa conjugação de esforços que permitiu concretizar a obra. Terminou a sua intervenção, agradecendo o trabalho desenvolvido por Rogério Ferreira, anterior Diretor-Geral da DGADR, que acompanhou grande parte do processo, e reconheceu o contributo da Direção de Serviços do Regadio, dirigida pela engenheira Cláudia Brandão, das respetivas equipas técnicas e dos serviços administrativos envolvidos. O empenho dos agricultores ao longo das várias fases do projeto foi também salientado.
A entrada em funcionamento da rede permite agora disponibilizar, junto das explorações agrícolas, a água armazenada na barragem do Abrilongo. O empreendimento reforça as condições para uma gestão mais previsível e eficiente da água, para a diversificação das culturas e para a valorização da atividade agrícola, concretizando um projeto há muito aguardado no concelho de Campo Maior.








