Uma delegação portuguesa, que integra elementos da Rede Nacional PAC, enquanto entidade coordenadora do AKIS Portugal, encontra-se nos Países Baixos, de 31 de agosto a 3 de setembro, no âmbito do PACE – Public Administration Cooperation Exchange, uma iniciativa que promove o intercâmbio entre administrações públicas e a partilha de experiências e boas práticas entre Estados-Membros.
Durante três dias, o programa reúne entidades públicas, investigadores, especialistas e agentes do setor agrícola, com o objetivo de conhecer abordagens e soluções neerlandesas e promover a aprendizagem mútua entre os dois países.
O PACE é uma iniciativa de cooperação entre administrações públicas que promove a aprendizagem entre pares, a troca de experiências e a partilha de boas práticas entre os Estados-Membros, permitindo conhecer no terreno diferentes modelos de organização e identificar abordagens que possam contribuir para melhorar políticas e instrumentos nacionais.
Depois de uma primeira visita realizada à Irlanda, a delegação portuguesa deslocou-se desta vez aos Países Baixos, num programa particularmente intenso dedicado ao funcionamento do sistema neerlandês de conhecimento e inovação agrícola, à adaptação às alterações climáticas, à gestão da água e do solo e à ligação entre investigação, políticas públicas e aplicação prática.
A visita assume particular relevância para o desenvolvimento do AKIS Portugal – Sistema de Conhecimento e Inovação Agrícola, permitindo comparar diferentes modelos de governação e perceber de que forma outros Estados-Membros promovem a circulação do conhecimento entre agricultores, investigadores, técnicos, empresas, organizações e Administração Pública.
Primeiro dia dedicado à política, governação e gestão da água
O primeiro dia da visita, realizado entre Haia e Delft, foi sobretudo dedicado ao enquadramento institucional e à discussão das políticas públicas que sustentam a agricultura, a inovação e a resiliência climática nos Países Baixos.
A manhã começou com uma sessão de trabalho com representantes do Ministério da Agricultura, Pescas, Segurança Alimentar e Natureza dos Países Baixos, incluindo a apresentação dos sistemas AKIS português e neerlandês.
Em representação de Portugal, Maria Custódia Correia, coordenadora da Rede Nacional PAC, apresentou o AKIS Portugal e o papel desempenhado pela DGADR e pela Rede Nacional PAC na sua dinamização, enquadrando igualmente alguns dos principais desafios enfrentados pela agricultura portuguesa, nomeadamente a adaptação às alterações climáticas, a gestão da água e a seca agrícola.
A sessão permitiu colocar frente a frente duas realidades agrícolas bastante distintas e discutir prioridades comuns, procurando perceber não apenas as diferenças entre os dois países, mas também que soluções, modelos de cooperação e formas de organização poderão ser úteis para responder aos desafios futuros da agricultura.
A gestão da água ocupou uma parte significativa dos trabalhos. Num país cuja história está profundamente ligada ao controlo e gestão dos recursos hídricos, a experiência neerlandesa permitiu conhecer diferentes abordagens à prevenção de cheias e secas, à adaptação climática e ao planeamento de longo prazo.
Ao longo do dia, a delegação contactou ainda com especialistas e representantes de entidades ligadas à gestão da água e à investigação, nomeadamente Rijkswaterstaat, Deltares e STOWA, abordando temas como o Delta Programme, as estratégias de gestão adaptativa da água, a prevenção de cheias, a preparação para períodos de seca e a utilização do conhecimento científico no apoio às decisões públicas.
Um dos aspetos em destaque foi precisamente a ligação entre investigação e decisão: de que forma o conhecimento produzido por investigadores e centros especializados chega aos decisores, é transformado em políticas e, posteriormente, se traduz em medidas concretas no território.
Do conhecimento à prática
Se o primeiro dia permitiu compreender o enquadramento político, científico e institucional neerlandês, os restantes dias da visita aproximam a delegação da realidade no terreno, através do contacto com organizações, projetos e agentes ligados ao setor agrícola.
Esta complementaridade é uma das componentes essenciais da visita: perceber como funciona o sistema não apenas através das instituições que definem políticas ou produzem conhecimento, mas também junto daqueles que o aplicam, partilham e utilizam na atividade agrícola.
Com uma agenda de trabalho concentrada ao longo de três dias, a participação portuguesa no PACE constitui, assim, uma oportunidade para recolher experiências, comparar modelos, identificar boas práticas e estabelecer contactos que possam contribuir para o reforço do AKIS Portugal.
Mais do que replicar soluções desenvolvidas noutros países, estas visitas permitem perceber o que funciona, em que contexto funciona e de que forma determinadas experiências podem ser adaptadas à realidade portuguesa, reforçando a ligação entre políticas públicas, conhecimento, inovação e as necessidades concretas dos agricultores.
Nos próximos dias, o intercâmbio prossegue numa vertente mais prática, com visitas no terreno e contacto direto com agricultores, organizações e outros agentes do setor, permitindo conhecer de perto como o conhecimento, a inovação e as políticas se traduzem na realidade agrícola neerlandesa.








